Banco Central eleva para 2,2% previsão de alta do PIB em 2020

Banco Central (BC) aumentou de 1,8% para 2,2% sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020. A estimativa consta do relatório trimestral de inflação, divulgado nesta quinta-feira (19).

“Ressalta-se que essa perspectiva está condicionada ao cenário de continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira”, informou a instituição.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

A previsão do BC está em linha com o que acredita o mercado financeiro, que projeta um crescimento da economia da ordem de 2,25% em 2020.

A instituição também revisou para cima sua expectativa para o crescimento da economia brasileira neste ano. A previsão foi elevada de 0,9% para 1,2%.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB brasileiro cresceu 0,6% no 3º trimestre, na comparação com o 2º trimestre, puxado pelo consumo das famílias e pelo investimento privado.

Em todo ano passado, o crescimento da economia brasileira somou 1,3%, de acordo com números revisados.

Mercado de trabalho

De acordo com o BC, o mercado de trabalho segue em “processo de gradual recuperação, ainda evidenciando elevado nível de ociosidade da capacidade produtiva da economia brasileira”.

“Tendo em vista a defasagem com que o mercado de trabalho normalmente reage ao crescimento econômico, espera-se que a consolidação do processo de recuperação da economia brasileira favoreça a intensificação da retomada do mercado de trabalho nos próximos trimestres”, acrescentou.

Expectativas de inflação

O Banco Central também informou que a estimativa de inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu de 3,3% para 4% este ano. A previsão considera a trajetória estimada pelo mercado financeiro para a taxa de juros e de câmbio neste ano e no próximo.

“As projeções de curto prazo foram particularmente afetadas pelos efeitos do choque de preço de proteínas, que ocorreu de forma mais intensa e prematura que esperada anteriormente. As projeções consideram um efeito direto mais concentrado no último bimestre deste ano, constituindo-se o principal fator de elevação das projeções para 2019”, informou o BC.

O BC ainda reduziu a previsão para o IPCA de 2020 de 3,6% para 3,5%. Para 2021 e 2022, nesse cenário, a instituição projetou uma inflação de 3,4% e 3,4%, respectivamente. A redução se deu com base no cenário que considera as estimativas do mercado para taxa de juros e câmbio. Com isso, o BC vê a inflação abaixo de 4% até o fim do governo Bolsonaro, em 2022.

As previsões estão em linha com as metas de inflação. A meta central deste ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%.

No próximo ano, a meta central de inflação é de 4% e terá sido oficialmente cumprida se o IPCA oscilar de 2,5% a 5,5%.

Definição da taxa de juros

As estimativas do BC para o Produto Interno Bruto e para a inflação ajudam a instituição na definição da taxa básica de juros, atualmente na mínima histórica de 4,5% ao ano.

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento das metas de inflação, fixadas todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Recentemente, por meio da ata da última reunião do Copom, o BC informou que economia “ganhou tração” e projetou inflação ao redor da meta, mas pregou cautela com o juro básico. Não houve indicação do que pode ser feito com a taxa Selic.

Até momento, a aposta de grande parte do mercado, segundo pesquisa feita com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, é de que a taxa Selic termine 2020 no atual patamar de 4,5% ao ano.

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