Gêmeas separadas na maternidade se encontram pela 1ª vez aos 53 anos

Nascidas em Santos, no litoral de São Paulo, separadas na maternidade e adotadas por famílias de cidades diferentes, as gêmeas Miriam Ramos e Clênia Maria Coelho se viram pela primeira vez após 53 anos, em um encontro emocionante na casa da mãe biológica das duas. A reunião colocou fim à busca incessante por respostas que Miriam travava há anos.

Miriam relatou sua busca ao G1 em novembro do ano passado. Uma pessoa que tinha acesso ao banco de dados cadastrais de empresas de cobrança a ajudou a encontrar o paradeiro de sua mãe biológica, de 88 anos, que ela conheceu em dezembro.

A última peça que faltava no quebra-cabeças era a irmã gêmea, cuja identidade ela desconhecia. A descoberta ocorreu por meio da sobrinha de Clênia, que entrou em contato com o G1 após a história de Miriam repercutir.

Irmãs gêmeas e mãe biológica em primeiro encontro — Foto: Nathália de Alcantara/AT

Irmãs gêmeas e mãe biológica em primeiro encontro — Foto: Nathália de Alcantara/AT

Descoberta sobre a adoção

Clênia, no entanto, não sabia que era adotada, nem que tinha uma irmã gêmea à sua procura. A revelação ocorreu no início de janeiro, quando suas irmãs contaram a ela antes que soubesse lendo a notícia. A informação foi recebida com tranquilidade, segundo Clênia mesmo conta. “Foi tranquilo para mim, porque eu acho que estava preparada espiritualmente”, lembra.

Uma semana depois, ela já estava conhecendo a mãe biológica, que atualmente mora em Guarulhos (SP). Clênia admite que a parte mais difícil foi assimilar que tinha uma irmã gêmea. “Porque eu ainda não tinha nenhum vínculo”, explica.

Ela demorou cerca de uma semana para, finalmente, responder às mensagens de Miriam, que até então só tinha conversado com os filhos da gêmea. “Fiquei muito ansiosa, queria conhecê-la, mas tinha medo de me decepcionar, também”, admite Miriam.

Encontro

Assim que começaram a trocar mensagens, as duas passaram a se aproximar aos poucos e, logo, marcaram um encontro pessoalmente. A reunião aconteceu na casa da mãe biológica das duas, em Guarulhos. Miriam viajou de Marília (SP), e Clênia, de Santos.

O encontro rendeu fortes emoções, e as duas puderam finalmente se abraçar pela primeira vez. “Eu sinto que, daqui para frente, os nossos laços vão se unir mais ainda”, disse Clênia sobre a irmã. Miriam, que encerrou a busca de sua vida, conta que abraçou forte a irmã. “Parecia que, se eu parasse de abraçar, eu a perderia”, relembra emocionada.

“Senti como se eu estivesse olhando para mim mesma, para uma parte de mim. E, nos olhos dela, eu senti muito amor. Faltava um pedacinho [na minha vida], e era aquele pedacinho que estava lá”, finalizou Miriam, que procurava a irmã desde 2015.

Miriam usou a única imagem que tinha de sua infância para compartilhar nas redes sociais e encontrar irmã gêmea — Foto: Arquivo Pessoal

Miriam usou a única imagem que tinha de sua infância para compartilhar nas redes sociais e encontrar irmã gêmea — Foto: Arquivo Pessoal

G1

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