J.P. Cuenca diz ser alvo de fascistas após tuíte sobre Bolsonaro enforcado

“É desconcertante ver um veículo alemão caindo no jogo persecutório de elementos fascistas no Brasil”, diz Cuenca.

A emissora Deutsche Welle (DW), da Alemanha, dispensou, nesta sexta-feira (19), o colunista brasileiro J.P. Cuenca por ameaças à família do presidente da República, Jair Bolsonaro.

“O brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal”, escreveu Cuenca.

Em mensagem no Twitter, o escritor classificou o comunicado da emissora como “mentiroso, covarde e difamatório”:

“É desconcertante ver um veículo alemão caindo no jogo persecutório de elementos fascistas no Brasil. […] Infelizmente terei que tomar as medidas cabíveis e levar isso às últimas consequências.”

J.P. Cuenca alegou estar sendo alvo de um “linchamento virtual de origem fascista”, inclusive com “dezenas de ameaças de mortes”:

“Não aceito ser e caluniado e difamado, de forma alguma, pela imprensa supostamente livre e democrática que deveria me apoiar contra um linchamento virtual de origem fascista que contou com dezenas de ameaças de morte recebidas via inbox nas últimas 72 horas.”

O escritor explicou que o seu tuíte faz referência à declaração do abade francês Jean Meslier e consta em seu livro lançado no século 18: “O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”.

J.P. Cuenca diz que não quis ameaçar Bolsonaro com o tuíte sobre um enforcamento em massa de familiares do chefe do Executivo. 

“Qualquer um com o mínimo de leitura é capaz de perceber isso”, disse ele, que acrescentou:

“Já expliquei o óbvio e o faço de novo: atualizei, com fins de sátira, uma frase do século XVIII bem conhecida e atribuída aos iluministas Voltaire e Diderot, mas escrita pelo abade francês Jean Meslier. Essa frase, originalmente sobre reis e padres, teve diversas encarnações.”

A emissora DW não enxergou o tuíte com esta perspectiva histórica citada pelo escritor. 

Pelo contrário.

Ao anunciar o desligamento de Cuenca, a DW disse que “repudia, naturalmente, qualquer tipo de discurso de ódio e incitação à violência”:

“A Deutsche Welle repudia, naturalmente, qualquer tipo de discurso de ódio e incitação à violência. O direito universal à liberdade de imprensa e de expressão continua sendo defendido, evidentemente, mas ele não se aplica no caso de tais declarações.”

Comentários