Jovem escalpelada em kart fala sobre sonhos após Enem: ‘pretendo estudar em Harvard’

Depois das 90 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste domingo (10), Débora Oliveira, que foi escalpelada em um acidente de kart em agosto deste ano na Zona Sul do Recife, acreditou que a falta de prática impediu que tivesse um melhor desempenho. Mesmo assim, a estudante tem planos de estudar na universidade de Harvard, nos Estados Unidos, para conciliar os estudos e o tratamento.

“Eu vou tentar me preparar para entrar Harvard. Vai ser uma oportunidade fantástica e eu pretendo estudar muito para conseguir estar lá. Estou estudando inglês todos os dias, praticamente 24 horas por dia. Se não der certo, eu penso em Oxford [na Inglaterra] ou na Alemanha. Aí eu vou ter que aprender alemão”, brincou.

Débora foi uma das últimas a sair da Escola de Referência em Ensino Médio Jornalista Trajano Chacon, no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste da capital pernambucana. Na terceira vez fazendo o Enem, as questões de matemática e ciências da natureza pareceram fáceis.

“Eu olhava para as questões, sabia a fórmula, mas matemática é treino. Tem que praticar sempre e eu não consegui”, afirmou.

ENEM 2019 - DOMINGO (10) - RECIFE (PE) - Débora Oliveira, que sofreu um acidente de kart em agosto deste ano, conversa na saída do segundo dia de provas do Enem — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

ENEM 2019 – DOMINGO (10) – RECIFE (PE) – Débora Oliveira, que sofreu um acidente de kart em agosto deste ano, conversa na saída do segundo dia de provas do Enem — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

Sem planos de fazer a prova pela quarta vez em 2020, a jovem pensa alto e, além da carreira na medicina, busca, também, ser professora.

“Quando um neurocirurgião não consegue operar, ele normalmente vai para a área acadêmica. E é isso que eu quero fazer. Quero ficar velhinha, careca, e estar repassando meu conhecimento. É a profissão mais bonita que pode existir. Quero salvar vidas e também ensinar”, disse.

Débora acredita que a carreira vai além da função de transmitir conhecimento em sala de aula. “É você dar ao aluno incentivos, você ensinar métodos para que o aluno aprenda. Não é somente chegar e escrever no quadro”, afirmou.

Após receber alta da unidade de saúde onde estava internada, em Ribeirão Preto, Débora sabe que ainda deve passar por novas cirurgias, em 2020. Dessa vez, serão procedimentos estéticos.

Antes da volta a Pernambuco, a jovem participou do programa Encontro, com Fátima Bernardes, no Rio de Janeiro, no dia 29 de outubro. Ela disse que não iria sofrer, mesmo sabendo que o couro cabeludo não cresceria mais. Já em casa, Débora se emocionou ao reencontrar os gatos de estimação.

Dificuldades nas questões

ENEM 2019 - DOMINGO (10) - RECIFE (PE) - Estudantes conversam sobre o Enem do lado de fora de escola na Zona Oeste do Recife — Foto: Marina Meireles/G1

ENEM 2019 – DOMINGO (10) – RECIFE (PE) – Estudantes conversam sobre o Enem do lado de fora de escola na Zona Oeste do Recife — Foto: Marina Meireles/G1

Outros estudantes que fizeram as provas na mesma escola em que Débora acharam as provas de matemática e física difíceis. Uma das primeiras a sair, a candidata Evellyn Ferreira, de 22 anos, afirmou que as questões de física e matemática estavam difíceis.

“Eu não fui muito bem, achei as questões muito complicadas”, afirmou a estudante, que pretende cursar nutrição.

Buscando uma vaga no mesmo curso, Rayanne Karla Silva, de 23 anos, preferiu sair logo após as 15h30, mesmo sem o caderno de provas. “Não adiantaria ficar até o final, porque algumas questões de matemática eu não sabia e tive que chutar. Nas outras matérias, eu acho que fui melhor”, contou.

ENEM 2019 - DOMINGO (10) - RECIFE (PE) - Rayanne Karla Feliciana não conseguiu resolver algumas das questões de matemática do Enem — Foto: Marina Meireles/G1

ENEM 2019 – DOMINGO (10) – RECIFE (PE) – Rayanne Karla Feliciana não conseguiu resolver algumas das questões de matemática do Enem — Foto: Marina Meireles/G1

Algumas sugestões provocaram dúvida nos alunos, como é o caso da estudante Maria Luiza Rocha. “Tinha uma questão sobre o peso do slackline nas árvores, que envolvia física e matemática, e eu não soube fazer”, contou.

Pretendendo cursar direito, a estudante Maria Eduarda da Silva, de 21 anos, disse que se saiu melhor no primeiro dia de provas. Depois deste domingo (10), ela queria somente chegar em chegar em casa. “Só quero descansar”, disse.

O desejo era o mesmo do candidato Cleiton André, de 26 anos, que deseja cursar fisioterapia. “Eu gostei da prova. As questões de natureza estavam boas. Agora, quero chegar em casa para descansar”, afirmou.

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