Lizandra Trindade pede tratamento igual a seleções: “Vim disposta a não falar futebol feminino”

A Copa do Mundo começa nesta sexta-feira, na França. O início da competição foi destaque no Redação SporTV. Durante a conversa, a repórter do Grupo Globo Lizandra Trindade pediu a palavra para solicitar uma reflexão sobre a forma de chamar o principal torneio de futebol disputado por mulheres. Ela acredita que a modalidade deve ser tratada da mesma forma que o esporte jogado pelos homens.

– Eu vim muito disposta a não falar futebol feminino. Eu acho que quando a gente vê mulheres jogando futebol e a gente dá um sobrenome a essa modalidade, chamando de feminino, a gente faz uma diferenciação muito importante entre o futebol que os homens jogam e o futebol que as mulheres jogam.

Jogadoras da seleção brasileira já estão na França — Foto: Rener Pinheiro / MoWA Press

Jogadoras da seleção brasileira já estão na França — Foto: Rener Pinheiro / MoWA Press

Outra preocupação de Lizandra é o hábito de chamar as jogadoras de futebol de “meninas”. Para a repórter, no futebol masculino a palavra “menino” é usada em casos de imaturidade. Portanto, ela pede também este cuidado ao se tratar das jogadoras.

– Eu acho que o que não vale para os homens não pode valer para as mulheres. A gente está falando de quebra de preconceito, de perspectivas financeiras, está tudo muito interligado. A gente vai falar que um jogador foi um menino quando ele cometeu alguma imaturidade. Então eu acho que a gente precisava tomar este tipo de cuidado – concluiu a repórter.

O apresentador do Redação, Marcelo Barreto, também deu sua opinião. Ele acredita que a diferenciação na forma de chamar o futebol masculino e o feminino se dá pelo fato de a prática dos homens ser muito mais antiga que a das mulheres (a primeira Copa do Mundo masculina foi em 1930, enquanto a primeira feminina aconteceu em 1991).

– Talvez a gente esteja mais acostumado a falar basquete masculino, basquete feminino, idem pro vôlei. Como o futebol sempre foi um universo exclusivamente masculino, a gente se acostumou a falar futebol e futebol feminino. Talvez, na hora da Copa do Mundo, a gente tivesse que falar futebol masculino.

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