Lu Périssé sobre comparações por pertencer a uma família de humoristas: ‘Não sinto pressão, sinto orgulho’

Sabe aquele ditado “filho de peixe, peixinho é”? Lu Périssé já o deve ter ouvido inúmeras vezes para definir seu talento para o humor. Filha dos humoristas Heloisa Périssé e Lug de Paula, e neta de ninguém menos que o mestre Chico Anysio, a jovem de 21 anos já começa a acumular suas primeiras conquistas na profissão e mostra que, no seu caso, fazer rir está mesmo no sangue. Em um papo com o Gshow, ela fala da relação em família, da estreia no humor e de seu primeiro filme, “Os Espetaculares”, que acaba de ser lançado nos serviços de streaming e drive-ins do país.

“É o meu primeiro filme e foi incrível participar dele. Tudo aconteceu de forma muito ‘natural’. Fiz o teste e depois sonhei com a personagem, acredita? Estava querendo muito!”, diverte-se ela, ao falar de sua estreia nos cinemas. O longa é protagonizado por Paulo Mathias Jr., que interpreta um comediante de stand up fracassado que vive arrumando confusão e, para salvar sua carreira, decide participar de um concurso de trio cômico. Ele, então, convence um amigo, vivido por Rafael Portugal, e a jovem nerd Sara, papel de Lu, a formar um grupo batizado de Os Espetaculares.

“Fui atrás quando soube do teste para um filme de comédia, passei por cada processo desse trabalho, que foi muito especial de fazer.”

Lu Périssé em cena com Paulo Mathias Jr. e Rafael Portugal no filme 'Os Espetaculares' — Foto: Divulgação

Lu Périssé em cena com Paulo Mathias Jr. e Rafael Portugal no filme ‘Os Espetaculares’ — Foto: Divulgação

Ao ser questionada se já passou por alguns dos perrengues dos comediantes retratados no filme no início da carreira, ela confessa que o humor sempre esteve tão presente no seu dia a dia que nem consegue saber exatamente quando começou de fato a trabalhar. “É difícil dizer quando foi meu começo porque já nasci muito inserida nesse contexto, numa família de comediantes. Minha mãe me contou que, quando eu era criança, cheguei triste da escola falando: ‘Mamãe, todo mundo ri de mim’, e ela respondeu: ‘Mas todo mundo ri da mamãe, do papai, do vovô…’! Eu nunca tinha feito stand up especificamente em cima de um palco, mas faço naturalmente com meus amigos, minha família… Estou toda hora fazendo, sem querer, um stand up”, conta.

Lu Périssé em cena no filme 'Os Espetaculares' — Foto: Divulgação/Hans Georg

Lu Périssé em cena no filme ‘Os Espetaculares’ — Foto: Divulgação/Hans Georg

Animada com seu primeiro filme, Lu nem chega a lamentar o fato de ele ser lançado em situações tão adversas, devido à pandemia da Covid-19, que obrigou todos a ficarem em casa e fechou cinemas e teatros. “Por incrível que pareça, aquilo que a gente pensa que era ruim, pode vir a ser maravilhoso. As pessoas nesse momento precisam rir, e nada melhor do que uma boa comédia para isso. ‘Os Espetaculares’ é engraçado, leve, divertido, faz realmente a gente esquecer tudo que está passando aí fora”, garante, completando que esta foi a primeira produção brasileira lançada no cinema que acabou de reabrir em Manaus e a terceira que estreia no formato de drive-in, em movimentos de flexibilização de uma quarentena que antes era mais rígida.

“É muito legal fazer parte desse movimento e saber que você contribui para a cultura de algum jeito, principalmente nesse momento que só podemos viver disso: livros, filmes, séries, teatros online e música.”

Lu Périssé em cena no filme 'Os Espetaculares'  — Foto: Divulgação

Lu Périssé em cena no filme ‘Os Espetaculares’ — Foto: Divulgação

E, por falar em quarentena, Lu conta que a sua foi dividida entre o apartamento em que mora sozinha e a casa de sua mãe. Ela não perde o bom humor ao listar os novos hábitos que adquiriu durante o isolamento social: “Fiquei focada em arrumar minhas coisas, organizei minha vida, pude voltar para a faculdade, escrever, aprendi a cozinhar e a malhar em casa, coisa que não sabia de jeito nenhum! De vez em quando bate aquela tristeza de ver nosso país e o mundo passando por isso, mas logo aparece uma louça para lavar e a tristeza vai para um outro lugar”.

“Eu quarentenei em família, entre o meu apartamento e a casa da minha mãe. Lavei muitas frutas, legumes, potes… Até pão, sem querer, um dia lavei! Comecei a cozinhar e agora sei fazer várias coisas. Antes da quarentena só sabia fritar ovo.”

Lu Périssé conta que aprendeu a cozinhar durante a quarentena — Foto: Globo

Lu Périssé conta que aprendeu a cozinhar durante a quarentena — Foto: Globo

Neste período, também deu para ensaiar uma “vida de casada” com o ator Ícaro Amado, com quem namora há pouco mais de um ano. “Nos conhecemos ano passado, quando ensaiamos juntos a peça ‘Querubim’, depois descobrimos que já tínhamos nos visto nos Estúdios Globo e pensei: ‘Olá, olá, de que kinder ovo você saiu???'”, lembra ela, aos risos, antes de falar da rotina que tiveram nos últimos meses. “No início do isolamento, fui buscá-lo em casa de carro para ele não se arriscar na rua e íamos ficar juntos uma semana… Só depois de dois meses o levei de volta! Ficamos uns dias separados, mas passamos quase toda a quarentena juntos, o que é ótimo, pois pudemos fazer vídeos, inventar cenas e ver séries, além de ele ser a melhor companhia”, derrete-se.

Lu Périssé com o namorado, o ator Ícaro Amado — Foto: Reprodução/Instagram

Lu Périssé com o namorado, o ator Ícaro Amado — Foto: Reprodução/Instagram

Além dos vídeos gravados com o namorado, Lu também pôde voltar a trabalhar recentemente, com o retorno das gravações de esquetes inéditas do Zorra, feitas de forma remota pelo elenco. “É ótimo, porque ocupa a cabeça! Estamos vivendo um momento novo para todo mundo, então isso dá a oportunidade de criar, inventar, imaginar coisas que poderiam acontecer. É muito diferente fazer em casa via vídeo, mas quase dá para matar aquela saudade! O legal foi que aprendi a fazer várias coisas, como botar a luz certa e achar o melhor ângulo para cada momento da cena”, conta ela, que está no elenco do programa desde o ano passado.

Lu Périssé em um dos esquetes do ‘Zorra’ que gravou de forma remota durante a quarentena

Mesmo trabalhando remotamente, a humorista teve a chance de ser dirigida presencialmente em uma das gravações – isso porque o diretor do programa, Mauro Farias, é seu padrasto, casado há dezoito anos com Heloisa Périssé. “Passei uma semana lá com eles e tive a oportunidade de ser dirigida por ele em casa. Foi um dia muito maneiro, terminamos a gravação com um sorrisão no rosto e até mais cedo do que previmos”, conta.

Acostumada com a rotina de uma família de artistas, para ela já é natural misturar o trabalho com a intimidade das relações familiares. “No ambiente que nasci, não tinha como ser de outro jeito. Até os meus 11 anos viajava quase todo fim de semana com a peça ‘Cócegas’, que minha mãe fazia com a minha madrinha [a atriz Ingrid Guimarães] e, quando não estava com elas, estava com meu pai, que também não é diferente”, recorda.

Lu Perissé ainda bebê, com o figurino de pintinho igual ao que a mãe usava nas apresentações da peça 'Cócegas' ao lado de Ingrid Guimarães — Foto: Reprodução/Instagram

Lu Perissé ainda bebê, com o figurino de pintinho igual ao que a mãe usava nas apresentações da peça ‘Cócegas’ ao lado de Ingrid Guimarães — Foto: Reprodução/Instagram

“Eu achava que ser assim, comediante, era o normal! Desde criança, era a engraçada do grupo, da turma, da festa. Então, acabou sendo bem natural, tinha que seguir essa profissão, que basicamente sou eu sendo eu. Se fizesse outra coisa, aí sim seria bem estranho.”

Sobre o fato de carregar com ela o nome de artistas tão prestigiados, Lu garante não se abalar com o peso dessa responsabilidade. “Não sinto pressão, sinto orgulho. Vou dar sempre o meu melhor e vai ser o que o universo planeja para mim. A minha parte, vou fazer. Pode ser que venha a ter comparações, mas hoje em dia sou bem resolvida com isso e tudo vai ser no tempo e do jeito que tiver que ser”, acredita.

Luísa Périssé em registro com o avô, Chico Anysio, na infância — Foto: Reprodução/Instagram

Luísa Périssé em registro com o avô, Chico Anysio, na infância — Foto: Reprodução/Instagram

Mas é claro que ela aproveita todos os aprendizados que herdou dos pais e do avô, Chico Anysio, para a sua carreira. “Uma característica que me inspira muito é a capacidade que ele tinha de fazer os próprios trabalhos, inventar os próprios personagens, programas… fazer o dele sem esperar que alguém o chamasse para fazer algo. Procuro fazer isso também, porque existem mil possibilidades de atores e atrizes para um personagem que eu poderia fazer o teste, mas, se eu inventar o meu, com certeza farei. Além de ser uma oportunidade de mostrar meu trabalho, minhas criações”, diz.

“Não é uma ambição minha ser famosa. Ainda quero errar muito, aprender a lidar com tudo. Minha real ambição é fazer bem meu trabalho, acredito que assim a fama virá naturalmente.”

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