Mais de 150 casarões do Centro Histórico de São Luís correm risco de desabar, diz Defesa Civil

Cerca de 150 casarões do Centro Histórico de São Luís correm o risco de desabar, de acordo com a Defesa Civil do Maranhão. Por conta do período chuvoso que atinge todo o estado, a situação tem se agravado rapidamente.

O levantamento aponta que em 2019 eram 92 casarões históricos que corriam o risco de cair, por problemas causados pela falta de manutenção dos prédios históricos. Ao todo, o Centro Histórico de São Luís tem mais de 6 mil casarões, alguns foram construídos há mais de 400 anos e compõem o Patrimônio Mundial da Humanidade.

Por se tratar de imóveis que possuem características únicas, como azulejos coloniais trazidos pelos portugueses e pedras de cantaria que moldam portas e janelas, a restauração pode custar milhões de reais. Mas muitas dessas peças estão mal conservadas.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é difícil localizar os proprietários para cobrar a manutenção dos imóveis. Muitos deles abandonaram os prédios e hoje moram em outros estados e países. Para evitar que os casarões não sejam demolidos, o Iphan realiza obras emergenciais, e os donos dos imóveis que não fizerem o ressarcimento do valor podem perder os casarões.

“O ideal é não deixar chegar ao ponto do risco de desabamento porque, depois que chega, a restauração é cara”, diz Rafael Pestana, coordenador técnico do Iphan.

Cerca de 150 casarões correm o risco de desabar em São Luís — Foto: Reprodução/TV Globo

Cerca de 150 casarões correm o risco de desabar em São Luís — Foto: Reprodução/TV Globo

Alguns casarões que foram abandonados pelos donos foram desapropriados e estão sendo recuperados, em uma parceria feita pelo governo federal e a Prefeitura de São Luís. As edificações dever ser usadas como moradia popular.

Casarões ‘adotados’ por pessoas ou empresas

A cada dez imóveis em risco, um pertence ao poder público. Em um deles funcionava uma delegacia, mas o local teve que ser abandonado por conta da situação crítica.

O governo do Maranhão disse que há um plano de revitalização do patrimônio histórico. Uma das ações, chamada ‘Adote um Casarão’, permite a reforma e a concessão dos prédios históricos a pessoas ou empresas.

O Corpo de Bombeiros do Maranhão (CBMMA) iniciou um trabalho de mapeamento para agir rápido em casos de tragédia envolvendo os casarões, para tentar evitar que o patrimônio histórico seja mais afetado pelo descaso.

“É importante esse georreferenciamento porque vai subsidiar nossa equipe de resgate, porque se houver alguma emergência, pra gente escolher os melhores acessos e a forma mais eficiente de atender nesses casos de emergência”, disse o Major José Lisboa, corpo de Bombeiros do Maranhão.

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