Maranhense que vende água no sinal vestido de garçom fala sobre mudança de vida após reportagem

Há quatro meses, Raphael Gomes, de 25 anos, ficou bastante conhecido por vender água vestido de garçom em sinal de trânsito, na avenida dos Africanos, em São Luís. A história dele foi contada pelo G1 Maranhão e, agora, ele fala sobre como a repercussão mudou a vida dele de lá para cá.

A rotina continua árdua, ele quase não para. Raphael, que antes trabalhava no sinal desde as 8h, de segunda a sábado, atualmente, está atuando também como garçom em uma pizzaria da capital. “Estou trabalhando no sinal das 9h às 12h de terça a sexta, e trabalho como garçom das 17h à 0h, de terça a domingo”, detalhou.

A dedicação e ousadia no jeito de garantir o sustento dele e da família chamou a atenção de empresários que deram apoio e o ajudaram a alavancar a vida profissional. Além de conquistar um emprego de carteira assinada em uma conceituada pizzaria da capital, Raphael ganhou de uma empresa todo material para otimizar a venda de água no sinal: isopor, barraca e outros produtos.

“Ganhei também óculos de grau e tratamento odontológico gratuitos. Tenho consultoria de uma empresa de contabilidade e tenho apoio de uma farmácia de manipulação que fornece protetor solar para mim e minha esposa que, atualmente, trabalha junto comigo. Vou começar também cursos profissionalizantes para melhorar ainda mais o meu atendimento e relacionamento com as pessoas”, contou.

O sonho de conquistar a casa própria ainda não foi alcançado, mas continua nos planos do garçom da água. Apesar disso, Raphael tenta dar o máximo conforto possível à família. Ele, a noiva e os três filhos se mudaram para uma casa alugada, segundo ele, “mais confortável”, porém tem pesado no orçamento. “Graças a todo trabalho digno e honesto hoje eu consigo proporcionar uma vida melhor para minha noiva e os três filhos. Um dia terei minha casa própria”, afirmou.

Maranhense que vende água vestido de garçom aponta conquistas após repercussão — Foto: Arquivo Pessoal

Maranhense que vende água vestido de garçom aponta conquistas após repercussão — Foto: Arquivo Pessoal

Raphael, como tantos trabalhadores, sentiu os impactos da pandemia do novo coronavírus na vida financeira, mas ele abraçou cada oportunidade e não deixou a peteca (ou a bandeja) cair. “Toda vez que penso em desistir, paro e olho pra trás. Lembro de onde eu vim, tudo que já passei na vida. Eu não posso e não vou desistir no meio do caminho, não vale a pena”, disse.

O preconceito de muita gente também foi uma das barreiras nessa jornada do jovem empreendedor. “As pessoas perguntam ‘pra’ mim o que eu faço e eu digo que sou um empreendedor. Tem gente ainda que ri de mim, pois não acredita que alguém possa ser empreendedor tendo como negócio uma venda de água. Costumo dizer que todo trabalho é digno”, declarou.

Para o futuro, Raphael pretende, um dia, abrir um restaurante em que possa dar oportunidade de trabalho a ex-internos do sistema penitenciários. “Bem, os meus planos são desafiadores. No momento, tenho a vontade de crescer mais profissionalmente e em conhecimento também. Um passo de cada vez”, conclui.

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