“Não podemos ser desacatadas pelo fato de sermos mulheres”, diz defensora ofendida por promotor

Após ouvir de um promotor que “a primeira vez com um negão não dói“, durante uma sessão do Tribunal do Júri, a defensora pública Fernanda Morais contou ao Migalhas como se sentiu após o episódio:

“Me senti extremamente constrangida e pessoalmente ofendida por ser mulher.”

Mesmo com o momento constrangedor, advogada ressaltou que não teve a intenção de desqualificar o trabalho do promotor ao expor a situação. “A minha irresignação dirigiu-se exclusivamente a uma fala que historicamente reflete uma cultura machista que vigora no sistema de Justiça, na verdade, que vigora em todas as instituições de maneira histórica e secular”, afirmou.

Machismo

Fernanda Morais disse que, após a exposição do caso, recebeu o relato de muitas mulheres contando que já sofreram com o machismo e com a violência de gênero no exercício de suas funções.

Ela destacou a necessidade de se pautar um debate maduro e sério a respeito desse problema:

“O que que quero é que a gente seja capaz de expor nossos problemas para que a gente pense em estratégias adequadas de enfrentamento dessa situação, porque isso não pode mais acontecer. Não podemos ser desacatadas, desrespeitadas exclusivamente pelo fato de sermos mulheres.”

Embora a defensora afirme que o machismo é presente no mundo jurídico, ela tem enxergado mudanças. Como exemplo, falou da Defensoria Pública da Bahia, que tem a sua composição majoritariamente feminina. “Essa é uma realidade que tende a se expandir, a alcançar todas as instituições de Justiça”, diz.

Migalhas

Comentários