Partido do Centrão, PL se queixa do Planalto mas descarta desembarque do governo

Dono da terceira maior bancada da Câmara dos Deputados e um dos principais partidos do Centrão, o Partido Liberal (PL) não anda muito feliz com o governo federal. Nas últimas semanas, parlamentares da sigla, presidida por Valdemar Costa Neto, têm feito críticas a ministros de Estado – pública ou reservadamente. Segundo relatos feitos à Jovem Pan, houve, inclusive, uma discussão sobre qual seria o posicionamento a ser adotado pela legenda, que integra a base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, daqui para frente, mas, ao menos por ora, o desembarque está descartado.

Circula pelo WhatsApp um vídeo, ao qual a Jovem Pan teve acesso, no qual o deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), presidente estadual do PL, pede a saída do ministro da Economia, Paulo Guedes. O parlamentar rebate a fala do titular da pasta sobre o aumento da conta de luz. “Qual o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?”, questionou o ministro na última semana. No vídeo, Côrtes diz que Guedes “zombou do povo brasileiro” e “está atrapalhando o governo Bolsonaro”. “Muita gente dentro do governo, que quer o bem do governo Bolsonaro, torce pro senhor sair”, afirma. Em outro trecho do vídeo, o deputado comenta as declarações do “Posto Ipiranga” do governo sobre a situação econômica do país e diz que ele “enrolou no pagamento do auxílio emergencial. “As pessoas estão passando muita dificuldade, a massa do povo brasileiro tem dificuldade para se alimentar”, acrescenta.

Vice-presidente da Câmara, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), é outro que endossa as críticas a Guedes. “Não tenho nenhum desapreço pessoal pelo ministro Paulo Guedes, pelo contrário, o respeito e quero bem, mas é impressionante a desconexão dele com a realidade do povo. Desemprego, fome, inflação, juros não o incomodam. O sonho do brasileiro era morar no discurso do ministro”, escreveu em seu perfil no Twitter, na quinta-feira, 26. No dia seguinte, Ramos afirmou, também na rede social, que Guedes “vive num universo paralelo”. Embora filiado ao PL, Marcelo Ramos vinha adotando uma postura de independência ao governo até recentemente: votava favoravelmente às pautas econômicas, mas era contra a dita “pauta de costumes”, por exemplo. No entanto, depois de ter sido acusado por Bolsonaro de ter “atropelado o regimento” da Câmara e impedido a votação de um destaque do partido Novo que vetaria o aumento do Fundo Eleitoral, o vice da Casa se tornou opositor do Planalto.

Em geral, os deputados do PL afirmam que ministros do governo não dão a devida atenção aos partidos da base aliada. “Temos muita dificuldade para conseguir agenda e ter os pleitos atendidos. Há uma insatisfação interna, há uma reclamação geral. Não recebemos o tratamento esperado”, disse à reportagem um parlamentar que apoia Bolsonaro desde o início de sua campanha à Presidência. Há, ainda, uma outra razão: o partido quer um “equilíbrio de forças” na Esplanada dos Ministérios. Embora a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, seja do PL, integrantes da sigla citam o fato de o Progressistas (PP) ocupar o principal posto do governo, a Casa Civil, pasta comandada por Ciro Nogueira (ex-presidente nacional do PP), e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), controlar a liberação de emendas parlamentares.

Jovem Pan

Comentários