PF troca chefe do órgão no Amazonas após notícia-crime contra Salles

Nesta quinta-feira (15/4), o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, decidiu trocar o superintendente do órgão no Amazonas, Alexandre Saraiva. A medida ocorre um dia após Saraiva denunciar condutas do ministro Ricardo Salles ao Supremo Tribunal Federal.

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, foi alvo de notícia-crime enviada ao STFJosé Cruz/Agência Brasil

De acordo com a Folha de S.Paulo, o escolhido para preencher o cargo é Leandro Almada, número dois da gestão de Saraiva, que já comandava o grupo de investigações ambientais na superintendência.

Nesta quarta-feira (14/4), a Polícia Federal havia enviado notícia-crime ao STF contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa.

Salles e o senador Telmário Mota (Pros-RR) foram acusados de agirem em favor de investigados na operação “Handroanthus GLO”, que apurava a extração ilegal de madeira na Amazônia no fim do último ano. As informações são do Estadão.

Boicote às investigações
De acordo com a peça, redigida por Alexandre Saraiva, o ministro “patrocina diretamente interesses privados (de madeireiros investigados) e ilegítimos no âmbito da Administração Pública” e integra “organização criminosa orquestrada por madeireiros alvos da operação ‘Handroanthus’ com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza”.

Saraiva apontou que Salles exigiu de peritos da PF a documentação das madeiras apreendidas. O ministro questiona a ilegitimidade das toras e defende que a extração teria sido legal. O então superintendente também destacou que Salles se opôs à qualificação dos investigados como membros de organização criminosa.

Na última semana, o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bom, pediu ao diretor-geral da PF as informações e documentos que embasaram a apreensão das madeiras. O gesto foi interpretado como uma forma de Salles obter acesso à investigação. “O Ibama, desde o início da operação, manteve-se inerte, desinteressado em exercer seus poderes de polícia ambiental, o que desperta a existência de interesses escusos, provavelmente a mando do ministro do Meio Ambiente”, indicou Saraiva.

No documento, Saraiva ainda compilou declarações públicas e postagens em redes sociais do ministro que defendiam a inocência dos investigados. “Chegou ao ponto de pretender atuar como perito, querendo rastrear a madeira extraída, sem ao menos saber qual o modus operandi da organização criminosa”, acusa a peça.

Já o senador Telmário Mota seria um “opositor declarado” das ações da PF contra o desmatamento na Amazônia, que teria manifestado nas redes sociais o “intento de interferir em ação fiscalizadora ambiental e de patrocinar interesses privados (de madeireiros) em detrimento da ação legítima da polícia investigativa”, o que extrapolaria a imunidade parlamentar.

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