Rafinha, do Flamengo, cita classificação contra Emelec como ponto chave em ano vitorioso: ‘Deu vida para nós’

Pergunte para qualquer torcedor rubro-negro: qual jogo foi o mais importante na campanha da Libertadores de 2019. Pelo contexto, muitos irão responder a final contra o River Plate. Mas para o elenco do Flamengo, foi o jogo de volta das oitavas de final, contra o Emelec. Para o lateral-direito Rafinha, este foi o ponto chave para o ânimo do grupo mudar e iniciar a campanha que traria o título.

– Foi o jogo que deu vida para nós. Foi um jogo chave, mostrou que tínhamos condições de colher coisas grandes no final. Mas, claro, a gente precisava trabalhar, formar o time e criar uma identidade. Eu sabia que o Mister tinha essa capacidade porque os atletas que ele tem sob seu comando são de muita qualidade – declarou o lateral-direito, em entrevista para a ‘FlaTV’.

Na ocasião, o Flamengo havia perdia por 2 a 0 na ida, em Guayaquil, devolvido o placar no Maracanã e se classificado nos pênaltis. Foi a primeira de muitas emoções que o lateral-direito teria vestindo a camisa rubro-negra. Após dez meses no clube, Rafinha segue agradecendo aos dirigentes Marcos Braz e Bruno Spindel por terem ido buscá-lo na Alemanha.

Rafinha em disputa com jogador do Barcelona Foto: CARL DE SOUZA / AFP
Rafinha em disputa com jogador do Barcelona Foto: CARL DE SOUZA / AFP

– Resolvi encarar esse desafio de voltar para o Brasil e jogar aqui. O Braz e o Spindel foram na Alemanha conversar comigo. Foram várias reuniões. Foi muito dificil, depois de 14 anos na Europa, voltar para o Brasil é complicado, pois já tinha minhas raízes na Alemanha. Foi uma vida construída lá. Voltar e em seis meses conquistar duas taças como o Brasileirão e a Libertadores, continuar jogando bem, foi especial – completou Rafinha, que lembrou das brincadeiras quando estreou pelo clube:

– Na segunda bola que peguei no jogo, dei uma arrancada e dei dois lençóis. Pessoal ficou doido. Consegui ainda levar com a cabeça. Aquela jogada foi um cartão de visita, né? – brinca o lateral, citando a partida entre Flamengo e Goiás, pelo Brasileirão do ano passado, que o rubro-negro venceu por 6 a 1.

Durante a descontraída entrevista, Rafinha só deixou o sorriso de lado para falar de um assunto: Jorginho, que está internado em estado grave com suspeita de ter contraído o novo coronavírus. O lateral pediu orações para o funcionário rubro-negro.

– Queria pedir muita oração para o nosso Jorginho. É uma pessoa que a gente tem muito carinho, uma pessoa que está todo dia com a gente. Pedimos muita oração para que tudo ocorra bem. É um momento perigoso, delicado. A gente tem que se previnir pra não ser contaminado.

Rafinha pelo Flamengo Foto: KARIM JAAFAR / AFP
Rafinha pelo Flamengo Foto: KARIM JAAFAR / AFP

Confira outras respostas de Rafinha:

Doações: “Não posto porque tem gente mal intencionada. Se você faz, criticam. Se você não faz, criticam. Então é bom estar bem com seu coração. Estou fazendo minhas doações, escolhi o projeto musicalidade. Faço quietinho, Deus está vendo tudo que estamos fazendo”.

Relógio: “A renda do relógio que lancei vai ser doado pra uma Instituição no Rio de Janeiro e uma em Londrina. Eles cuidam de muitos asilos e vai ser legal. Quem quiser, só comprar o relógio. Vai estar ganhando o produto e ajudando muita gente”

Infância: “Sempre fui muito agitado, não parava em casa, ficava o dia inteiro na rua. Aproveitei bastante, mas se eu fosse um pouco mais calmo seria melhor. Até hoje sou assim”.

Carreira: “”Em 91 eu fiz uma avaliação no Grêmio Londrinense e 92 comecei a jogar futsal. Joguei quase 10 anos. Sempre sonhei em virar jogador, mas a partir daí que eu comecei a ter esse objetivo mesmo. Em 95 comecei a jogar futebol de campo. O pessoal do salão ficava meio bravo de dividir porque ficava meio cansado. Mas como a gente jogava bem eles deixavam. Em 2000 eu abandonei o salão por completo e fiquei só no campo.

Eu fui pro Coritiba em 2002. Fiz a base toda lá. Em 2004 o professor Antônio Lopes me puxou pro profissional, foi quando eu dei os primeiros passos no Coritiba. Ele foi um pai pra mim, sou muito grato. Lá fui convocado pra Seleção Sub-17 e Sub-20. Cheguei na base do Coritiba como atacante. O professor Netinho me disse que queria muito ficar comigo, mas era muito disputado nessas posições da frente. Ele disse que eu tinha muita qualidade pra jogar de lateral e que iria me ensinar. Aí peguei gosto pela posição.

Rafinha no Ninho do Urubu Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
Rafinha no Ninho do Urubu Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Amizades na Alemanha: “Eu falo com eles (Ribery, Neuer e Vidal). A amizade que a gente cria no futebol é muito forte pois passamos muito tempo juntos. Eles assistem os jogos, é bacana essa amizade que construí com eles”.

Torcida do Flamengo: “Me surpreendeu a força da torcida do Flamengo. Nunca fui de contar história. A torcida do Flamengo é muito diferente, ela faz a diferença nos jogos. O time tá mal e a torcida canta, anima a gente. Dentro do campo eu me transformo quando eu ouço”.

Guardiola: “Com o Pep foi quando eu mais joguei, 123 partidas em 3 anos. O que eu mais pude aprender foi a posse de bola. Eu gosto de ficar com a bola o tempo todo, tem mais possibilidade de criação. É o melhor ensinamento que vou carregar pra vida”

Jorge Jesus: “O Mister cobra por a gente não estar fazendo gol de falta. Mas se a gente ganhar todos os jogos sem gol de falta, sem problema. Gol meu é igual Natal, uma vez no ano. Se sobrar uma aí a gente tenta guardar”.

Flamiguinhos: “Virei personagem do Flamiguinhos. Surreal estar participando. Eu que gosto de música, participar do vídeo com essas feras do Samba foi muito bacana. As crianças mandam mensagem nas minhas redes sociais, falando do chapéu que dei e tudo. Foi bem legal”

Música: “Eu aprendi com meu irmão mais velho. Ele é músico, tem um grupo de samba. Eu desde novo acompanhei ele em pagode. Virei sambista. Gosto muito, me aprofundo na história pra saber mais. Agora no RJ estou no berço do samba. Estou vivendo um sonho mesmo”.

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