‘Teremos mais uma semana de temperatura elevada na CPI’, afirma Renan Calheiros

Depois de uma semana sem depoimentos, a CPI da Covid-19 retoma os trabalhos na terça-feira, 14, focada no caso da compra da vacina Covaxin, nos negócios da Precisa Medicamentos, empresa criada por Francisco Maximiano, e em uma denúncia feita por médicos e ex-médicos da Prevent Senior que chegou ao conhecimento da comissão no final do mês de agosto. Enquanto planeja o encerramento dos trabalhos, a cúpula do colegiado avalia que as próximas oitivas serão tensas, mas fundamentais para a conclusão das investigações. “Teremos mais uma semana de temperatura elevada”, disse à Jovem Pan o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão.

O novo cronograma de depoimentos foi definido na manhã do domingo, 12, em uma reunião virtual do G7, o grupo majoritário formado pelos senadores independentes e de oposição. As oitivas do advogado Marcos Tolentino e do lobista Marconny Albernaz de Faria ocorrerão, respectivamente, na terça-feira, 14, e na quarta-feira, 15. Tolentino é apontado como sócio oculto do FIB Bank, que emitiu uma carta-fiança de R$ 80,7 milhões como garantia para a Precisa no acordo firmado para a aquisição de 20 milhões de doses da vacina. O depoimento estava inicialmente marcado para a quarta-feira, 1º de setembro, mas foi adiado depois de Tolentino apresentar um atestado alegando “formigamento” no corpo como justificativa para não comparecer. O nome de Faria aparece em uma troca de mensagens que cria a “arquitetura da fraude” a uma licitação para a compra de testes de Covid-19 a fim de beneficiar a Precisa Medicamentos, empresa criada por Francisco Maximiano.

Na quinta-feira, 16, será a vez de Danilo Trento, diretor da Precisa Medicamentos. O funcionário da empresa aparece envolvido em pelo menos duas histórias que estão na mira da CPI. Uma delas é a troca de mensagens sobre o “passo-a-passo da fraude”. Segundo o senador Randolfe Rodrigues, havia dois grupos atuando conjuntamente: o de Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde, que também contava com José Ricardo Santana, que deixou um cargo em um órgão ligado à Anvisa para atuar como lobista na pasta; e o da Precisa, representado por Maximiano, Trento e o lobista Marconny. Por fim, na sexta-feira, 17, o colegiado recebe um representante da Prevent Senior. No final do mês de agosto, os senadores receberam uma denúncia formal feita por um grupo de médicos e ex-médicos da operadora de saúde, segundo a qual a empresa e o governo federal fizeram um acordo, no início da pandemia do coronavírus, para testar e disseminar as medicações do “kit Covid”, como cloroquina, ivermectina e azitromicina.

Jovem Pan

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